quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Brasil clama por engenheiros


Gabriela Ramos - O Povo, 27 de agosto de 2011 | 17h00



A necessidade por profissionais de engenharia de todas as áreas está cada vez maior. No Brasil, o número de formados está muito abaixo das demandas do mercado. O desconhecimento do perfil dos profissionais pode ser um dos motivos
Quem não tem ouvido falar que o Brasil está crescendo em um ritmo acelerado, necessitando cada vez mais dos profissionais de engenharia? Os próximos anos são promissores para engenheiros em diferentes áreas de atuação, porém, no mercado brasileiro, a carência desses profissionais é grande. Segundo o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, há uma demanda muito aquecida para todas as áreas da engenharia. Ele destaca a necessidade maior de mão-de-obra em setores estratégicos como construção civil e exploração de petróleo.
Como forma de tentar resolver a falta de profissionais, está sendo planejado um censo para localizar os engenheiros do País. O levantamento será fruto da parceria entre o Confea, o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Será observado onde os profissionais estão registrados, que atividades exercem e se eles estão deslocados da área de formação, segundo Marco Túlio. O objetivo é trazer quem está fora da área para o mercado. A parceria com o MEC é uma forma de articular os cursos de graduação e pós-graduação profissionalizante para a qualificação desses profissionais.
Segundo a presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Ceará (Senge-CE), Thereza Neumann, há falta de informações precisas sobre as demanda de profissionais. A partir do censo, ela destaca que o sindicato poderá potencializar a qualificação dos engenheiros, voltando-os para o mercado. “As empresas locais costumam querer que o profissional tenha experiência. É importante que elas tenham a visão de qualificar esses engenheiros de acordo com as necessidades específicas”, afirma. Ela também destaca que, como existem demandas novas, o censo será fundamental para um levantamento preciso.
Evasão
Responsável por onze departamentos de engenharia na Universidade Federal do Ceará (UFC), o diretor do Centro de Tecnologia, Barros Neto, afirma que, além da carência geral de profissionais no mercado, há uma evasão grande nos cursos. A justificativa dele e de alguns professores é a pouca bagagem dos alunos nas matérias-base dos cursos, que são matemática, física e química. Outra justificativa é que, nos primeiros dois anos dos cursos, as aulas são mais teóricas e quase nada práticas, o que pode gerar muitas desistências.
“O Brasil passou vinte anos parado e agora quer crescer, mas, para isso, precisa de engenheiro. Nesse período, a carreira na engenharia deixou de ser atrativa para os bons alunos, que foram para outros cursos”, diz. Como forma de diminuir a evasão, Barros diz que está sendo trabalhado o acompanhamento dos estudantes a partir das monitorias.
Apesar dos esforços, os atrasos para se graduarem e as reprovações nas disciplinas são constantes entre os alunos. Formado há nove meses em engenharia de materiais, Victor Torquato, de 24 anos, foi um dos quatro graduados da primeira turma do curso, que abriu inicialmente 40 vagas. Ele estagiou por um ano em uma empresa siderúrgica e, logo que conseguiu o diploma, foi contratado. “Eu ia fazer vestibular para engenharia mecânica, mas conheci o curso em uma palestra e me interessei. Pesquisei e vi que era uma área nova e com boas oportunidades”, diz.

Postado:Pablo Santana,Coordenador Estadual do CREAjr-PI,Membro Dirigente de Engenharia Elétrica

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